Ela gostava quando, depois de muito tempo calada, ele pegava no seu queixo perguntando:
- ''O que foi, guria?'
Ele gostava quando ela dizia:
- ''sabe, nunca tive um papo com outro cara assim que nem tenho com você.''
Ela gostava quando ele dizia:
- ''gozado, você parece uma pessoa que eu conheço há muito tempo.''
E de quando ele falava:
- ''calma, você tá tensa! Vem cá!''
E a abraçava e a fazia deitar a cabeça no ombro dele para olhar longe, no horizonte do mar, até que tudo passasse. E tudo passava assim, desse jeito. Ele gostava tanto quando ela passava as mãos nos cabelos da nuca dele, aqueles meio crespos, e dizia:
- ''bobo, você não passa de um menino bobo...''

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